Pensamentos Incompletos

Textos, poesias, músicas

Eu te amo

março 2007

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos
desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que ainda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato ainda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

(Eu te amo - Tom Jobim e Chico Buarque)

Nos Seus Olhos

Olhe nos meus olhos
E diga o que você
Vê quando eles vêem
Que você me vê
Olho nos seus olhos
E o que eu posso ler
Que eles ficam melhores
Quando eles me lêem
Eu leio as suas cartas
Eu vejo a letra
Meu Deus que homem forte
Que me contempla
Sou sua mas não posso ser
Sou seu mas ninguém pode saber
Amor eu te proíbo
De não me querer
Olho nos seus olhos
E sinto que você
Faz eles brilharem
Como astro rei
Olhe nos meus olhos
E o que você vai ver
Seu rosto iluminado
A lua de um além
Eu leio as suas asas
Borboletas
Meu Deus que linda imagem
Me atormenta
Sou seu mas eu não posso ser
Sou sua mas ninguém pode saber
Amor eu te proíbo
De não me querer

(Nos Seus Olhos - Nando Reis)

No recreio

março 2007

Quer saber quando te olhei na piscina
se apoiando com as mãos na borda
fervendo a água que não era tão fria
e um azulejo se partiu
porque a porta do nosso amor estava se abrindo
e os pés que irão por esse caminho
vão terminar no altar
Eu só queria me casar
com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter
então quero mudar de lugar
eu quero estar no lugar
da sala pra te receber
na cor do esmalte que você vai escolher
só para as unhas pintar
quando é que você vai sacar
que o vão que fazem suas mãos
é só porque você não está comigo?
só é possível te amar…
seus pés se espalham em fivela e sandália
e o chão se abre por dois sorrisos
virão guiando o seu corpo que é praia
de um escândalo, charme macio
que cor terá se derreter?
que som os lábios vão morder
vem me ensinar a falar
vem me ensinar ter você
na minha boca agora mora o teu nome
é a vista que os meus olhos querem ter
sem precisar procurar
nem descansar e adormecer
pq não quero acreditar que vou gastar desse modo a vida
olhar pro sol, só ver janela e cortina
no meu coração fiz um lar
o meu coração é o teu lar
e de que adianta tanta mobília
se você não está comigo?
só é possível te amar
escorre aos litros o amor
porque você não está comigo?
só é possível te amar
ouve os sinos, amor

(No Recreio - Nando Reis)

Quando fecho os olhos

março 2007

Quando penso em alguém, é por você que fecho os olhos….. gostei dessa frase nos instante em que ouvi a musica ser tocada. No instante em que parei, pensei em muitas pessoas e somente por uma, meus olhos se fecharam e meus lábios sorriram, tímidos, mas sorriram. Foi como que por encanto, aí passei a gostar ainda mais da frase por sua simplicidade em traduzir um sentimento tão difícil de se explicar. Não fechamos os olhos por quem não gostamos, ou para quem gostamos simplesmente, também não fechamos os olhos para o amor de mãe, pai ou amigo. Só fechamos os olhos pelo ser amado, por aquele que mexe com todos nossos sentimentos, que nos faz ir ao céu e ao inferno… Acredite, só o ser amado consegue que esse simples ato saia naturalmente, não adianta tentar enganar o coração. O simples fechar dos olhos nos desnuda para o mundo, baixa nossa guarda, alegra nosso coração, ilumina nossa alma. É essa pessoa que lhe tens na mão, não importando defeitos, atitudes… nada, só o sentimento.

Segundos de alegria

março 2007

Lá vem ela mais uma vez, vem desfilar sua graça pela calçada, vem encantar quem atravessa seu caminho. Lá vem, mais uma vez, com seu balanço, seu gingado, vem enfeitiçando, moço, velho, criança, mulher, senhora e menina.
Lá vem ela com seu perfume inebriante, seus passos marcados, seu rebolado discreto, sua elegância distinta. Vem com seus cabelos sedosos, sua pele brilhante, seu sorriso contagiante.
Lá vem ela, mais uma vez trazer alegria aos passantes, contagiar com sua serenidade. Lá vem ela, como faz todos dias, ofuscando o sol, brilhando na escuridão, abençoando as gotas de chuva. Lá vem ela, transmitindo alegria, como faz todos dias.
Lá vem ela, misteriosa, encantar por segundos, meu pobre coração cansado, à espera do destino. Ela vem, ele se alegra. Ela passa, ele se enobrece. Ela vai, ele se entristece. Mas, ele se lembra que amanhã ela passará novamente, igualzinho, faz todos os dias. Vem alegrando, segundos de vida, de cada um que atravessa seu caminho.
Lá vem ela…..

Saudade

março 2007

Saudade é palavra triste, é palavra alegre, é palavra pequena de grandes significados. Saudade se sente não se descreve, saudade é de alguém, de algo, de um lugar ou de lugar nenhum. Saudade é um sentimento, bom e ruim. Saudade dói no peito, saudade abocanha a alma, ocupa todos seus espaços vazios, e vai consumindo o ser como se tudo o que ali existia não pudesse mais estar ali. Saudade consome, consome-te inteiro, da cabeça aos pés, até restar em você apenas saudade. Saudade é uma dor gostosa de se sentir querido, de saber que naquele momento, que naquele pequeno momento, você foi amado, querido e feliz. Saudade também é tristeza, tristeza de lembrar daquilo que não volta mais, daqueles que desceram em alguma estação e que o reencontro será demorado. Tristeza em saber que aquele sorriso apesar de registrado em seu pensamento, somente será sentido pelo seu coração. Saudade te leva adiante, te impulsiona a viver mais, para um dia poder matá-la, sim saudade existe para que se possa matá-la, arrancá-la da alma com um suspiro profundo, uma lágrima na face e um imenso sorriso. Saudade te aprisiona, te prende ao passado, te faz ficar esquecido em um momento qualquer, e não te deixa seguir adiante. Saudade é extremos, extremos que hora nos ensina hora nos aprisiona, restando a nós pobres mortais imperfeitos, saber dosar a saudade de que nossa vida necessita, sem parecermos insensíveis, sem parecermos sensíveis….

Casa no Campo

março 2007

Eu quero uma casa no campo

Onde eu possa compor muitos rocks rurais

E tenha somente a certeza

Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo

Onde eu possa ficar no tamanho da paz

E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim

Eu quero o silêncio das línguas cansadas

Eu quero a esperança de óculos

E um filho de cuca legal

Eu quero plantar e colher com a mão

A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo

Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé

Onde eu possa plantar meus amigos

Meus discos e livros e nada mais!

Música: Casa no Campo ( Zé Rodrix e Tavito)

Quadro: minha autoria

 

Riscar e Rabiscar

Risco e rabisco, risco, rabisco e apago, rasgo jogo fora. Ponho no papel tudo aquilo que sinto, mas depois, não o sinto mais. Daí risco, rabisco, jogo fora. Jogo aquilo que não faz mais parte de mim, que já não me é importante e que agora pertence ao papel, pertence ao mundo….

Sentimentos que ocupavam o espaço de outros. Sentimentos que não deixavam o novo surgir, não deixavam meus pés seguirem por novas direções, por isso, escrevo, risco e rabisco e apago e jogo fora.

Isso quando não queimo…. é queimar aquilo que é mais difícil esquecer, apagar…. Aquilo que o fogo e o vento levam pra longe, só pra não dar tempo de colocá-lo pra dentro de novo.

Então risco, rabisco, apago, risco, rabisco e queimo, e deixo o vento levar para qualquer lugar, lugar que lhe é necessário, mas não mais em mim.

Agora não me pertence mais, foi riscado, rabiscado e definitivamente apagado de dentro de mim….

 

Separação

março 2007

Hoje eles eram dois estranhos, desses que passam pela rua e nem desculpas pedem por um esbarrão. Quem os observa hoje, não acreditaria que eles já haviam sido mais que amigos, hoje são meros desconhecidos. Onde começou a se perder o encanto? Ninguém sabe, talvez, nem os dois saibam ao certo.

O certo mesmo em suas vidas é que foram se afastando, cada vez mais, deixando que tudo e todos se colocassem entre eles como um mar. Mar de gente, mar de tarefas, mar de coisas, objetos, sentimentos e de tantas coisas que nem mais se identificava o que era o que. Não havia no mundo algo que pudesse fazer o acesso entre os dois, muito foi tentado, mas nada funcionou, daí ficaram assim: dois desconhecidos.

O amor, era algo que podia ser sentido, quase que tocado, por qualquer um que se aproximava. Emanava dos poros, não era suor, era a frangância do amor, o cheiro do querer alguém e ser correspondido. Um cheiro que nenhum perfumista conseguia copiar. Se completavam, eram alegres, não que sorrissem a todos instantes, mas, onde tudo começou então? Uns dizem: foi isso, outros aquilo, mas ninguém chega a uma conclusão, ninguém tem o veredicto final. O certo, é que niguém comenta, as fotos foram apagadas, os vídeos queimados, a casa vendida, as vidas separadas.

Tudo foi separado sem que uma única palavra fosse dita, sem que um olhar de arrependimento fosse trocado. Sem que o amor sentido, pudesse fazer uma tentativa de aproximação, eles não queriam mais, não queriam nem se olhar para não chorar. É, chorar…. nem isso eles fizeram, é como se um dia, levantassem, olhassem para o lado e perguntassem: Quem é você?

Não ouve uma lágrima, assim como não existiu uma briga, apenas deixaram de existir um para o outro….

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