Pensamentos Incompletos

Textos, poesias, músicas

Momento de fúria I

junho 2007

Gotas de chuva teimam a cair, percorrem minha alma, lavando assim, cada resquício de você que ficou em mim. Aquele dia que você arrancou de mim o resto de dignidade que eu tinha. Mas quer saber? Sou-lhe grata…. você me fez chegar ao fundo, e com isso, levou tudo de ruim que existia em mim junto, gastei todo sentimento inútil acumulado com você. Agora estou mais leve, vou poder ser mais eu, é sem você aqui pra me limitar, sou mais eu, e quer saber?

Sou muito melhor, se quiser saio, se quiser fico, pinto o cabelo de roxo, que ninguem vai ficar torcendo o nariz. Ninguém que me importe vai me questionar ao me ver feliz.

E você…. que pena de você, vai continuar nessa vidinha medíocre, limitada. Talvez encontre sua rodinha… é rodinha, por que toda mala tem que de algum jeito ser levada. E essa rodinha, talvez te faça feliz, e sinceramente espero que o faça.

É espero mesmo, só para nunca mais ter que olhar pra você e sentir pena. Quero não sentir nada, nem saudade, nem pena, quero o vazio quando te olhar, só para no momento seguinte me encher de alegria ao saber que em mim, não existe mais um grão de você.

 

 

Você aí

junho 2007

Para o pequeno sabotador interno - Texto de Fernanda Young para a revista Claudia:

Venho por meio desta manifestar o meu repúdio pelo seu recente comportamento. Você estragou tudo, mais uma vez.

Quando me aprontava para sair, disse que eu estava feia. Quando experimentei outra roupa, insinuou que eu já não tinha idade para usar aquilo. Quando cheguei ao meu compromisso, não me deixou falar o que eu havia pensado. E, no final, ainda conseguiu me fazer ser grossa, apressando as despedidas.

Ora, quando você irá crescer? Cansei da sua irresponsabilidade. Compreenda, de uma vez por todas, que estamos no mesmo barco. Se afundo, você vai junto - será que esta metáfora não está óbvia o suficiente?

Não me venha, portanto,com argumentos de homem-bomba. Se você discorda de mim tanto assim, por que não vai embora daqui de dentro? Abaixe esse punhal, apontado para as minhas costas, e cave com ele um túnel de fuga se for necessário. Não podemos é continuar desse jeito, nessa burra relação autodestrutiva, em que o conteúdo fura a própria embalagem.

Até quando você me elogia é com o intuito de me derrubar, já percebeu? Faz com que me acredite linda e sagaz para, no instante seguinte, rir dos meus tropeços. Dizendo "não falei?", com aquela sua cara de madrasta. Torpedeando minhas forças ainda durante os planos de ataque. Minando meus passos ao pisá-los comigo.

Chega, então. Paremos com isso, antes que acabe em tragédia. Antes que, na falta de um gesto meu, por você evitado, eu desabe em escombros. Quero, mais do que nunca, me arrepender depois do que digo e do que faço. Abro mão, com alegria, de todos os seus péssimos sábios conselhos. A vida é curta demais para tamanha precaução e longa demais para se repetir os mesmos erros.

Sim, cheguei a me divertir em sua companhia, quando ainda conseguia ver algum charme no insucesso. Tempos passados. Hoje, luto com unhas e dentes para que tudo dê certo. E das suas idéias, sempre cheias de lógico pessimismo, preciso distância.

Não pretendo, porém, uma separação litigiosa, pois sei que você conhece todos os meus pontos fracos e aguarda apenas uma boa oportunidade para atingi-los. Com suas observações de última hora, mortalmente precisas. Proponho, isto sim, um cessar-fogo: você deixa de me dar conselhos e eu imediatamente deixo de segui-los. Parece-me uma trégua justa.

Não te desejo mal — entendo que você fez o que tinha de fazer, muitas vezes com a minha velada cumplicidade. Mas estou pronta a ir até o fim nessa luta, a tirar você de mim quanto antes. Saiba que, a partir de hoje, você está como imigrante ilegal aí dentro. E pode até conseguir fugir por um tempo, escondendo-se em subterfúgios. Seus dias de impunidade, entretanto, estão contados.

Se você não me atrapalhar, é claro.

Indiferença

junho 2007

A indiferença mata, mata os sonhos, a alegria, o humor, o amor…. A indiferença incomoda pelo fato de ser a prova mais concreta de que você não é mais parte importante, de que é uma página que virou, que ás vezes será visitada para uma consulta, talvez, nada mais além disso.

A indiferença pertuba, te tira o sono, te leva ao desespero: como assim?

A indiferença te come, come um pedacinho teu a cada dia, te reduz a um pedaço insignificante de ser, é…. insignificante, você se sente um nada, um número sem sinal de + ou -, cadê tudo o que fazia sentido? Onde fui parar? Onde me encontro?

Indiferença é pior que raiva, por que esse te liga ao outro, você ainda é algo, mas e a indiferença?

Por isso a indiferença consome teus neurônios em busca de uma explicação. Afinal, com uma explicação podemos lidar, ela está ali… e a indiferença?

Com quem gritar?

Onde soltar o grito que sufoca?

Onde despejar a raiva contida?

Onde chorar o luto?

E, onde se encontrar de novo?

O sol a Lis e o Beija flor

junho 2007

Flor de lis, não vá dizer, se o vento tem compaixão

Pra te ver, te fazer esquecer, da dor do coração

Eu sei que o farol te faz relembrar, das noites com o girassol

Talvez se você não chorar, se você me deixar ajudar

Te tocar no coração, saber que mais forte que a dor

É o amor que bate por ti, o amor do tão bom beija-flor

Flor me diz o que fazer, se um beijo seu eu não posso ter

Se não fiz por merecer, quem sabe se eu te disser

Mais duro é o amor de partir, se fica a olhar ele ir

Mais puro é o amor que está aqui, é só você se deixar sentir

Não temer, só sorrir, dizer que só quer ser feliz

Poder ver o pôr-do-sol, com o beija-flor não mais com o girassol

Não temer, só sorrir, dizer que só quer ser feliz

Poder ver o pôr-do-sol, com o beija-flor não mais com o girassol

(Circuladô de Fulô)

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