junho 2008
O dia começa frio, o sol não aparece, uma garoa fria teima em cair…..
Blusa, calça, bota, gorro e cachecol, luvas não… me atrapalham um pouco, portanto…. mãos frias….
Dias frios, pensamentos aquecidos, minha mente fervilha buscando onde se expressar…
Pincéis? Telas? Latas? papel….. teclado, ainda não é o suficiente, mas pelo menos meus dedos se aquecem…..
junho 2008
A primeira vez que Ana sentiu a chuva não foi por ela estar forte demais, nem por ser fraca como uma brisa. Foi pelo fato dela cair feito lágrimas, sem controle, a escorrer pelos vidros, como se estes fossem rostos, de forma lenta e se perderem no asfalto molhado como um lenço. E tudo isso Ana percebeu não pela chuva que caía desde o amanhecer, mas pela ausência de Pedro. Sim era esse seu nome. Descobrira de forma inesperada, chovia, e ela nem tinha se dado conta disso, ele passara por ela como todos os dias, a chuva era calma e refrescante, e ali logo aos seus pés ele deixara cair um crachá, não de propósito, este foi perdido pelo encontrão que Pedro deu com alguém que passava por ali.
Ana abaixou-se vagarosamente como que se houvesse avistado um precioso tesouro, desfrutando aqueles segundos únicos, onde tocaria algo que pertencia ao seu objeto de afeição/desejo/paixão. Tudo foi tão lento e gracioso como se a vida estivesse em camêra lenta. Ao se levantar ele já ia longe, apressado pela chuva, e ela, ao olhar o objeto descobriu seu nome: Pedro. Seu coração tinha um dono que se chamava Pedro.
E foi a tua ausência naquela tarde quase noite que a fez notar a chuva, que parecia chorar e as nuvens pesadas a se baterem numa luta sem fim, nem cinza era o momento, para seu coração ele era negro, já que cinza lhe lembrava seus olhos. E naquele momento Ana passou a acompanhar a chuva e a chorar dolorido, um choro sentido e silencioso, já que não eram de seus olhos que brotavam as lágrimas, era de sua alma.. Seu corpo todo se desmanchava e corria pelas sargetas com a chuva, sofrido, doído e entregue, até sumir num buraco escuro e ainda mais negro que o final da tarde. Assim adormeceu, sem sonhos, quase sem vida, e molhada, agora com suas lágrimas.
Obs.: Depois de muuuuito tempo continuando a vida de Ana (rsrsrsrsrs)