Pensamentos Incompletos

Textos, poesias, músicas

Ana Carolina

outubro 2008

31/10/2008 - Show tudo de bom, do tipo amo muito tudo isso! rsrs

A ansiedade da espera foi recompensada totalmente….

Os meus olhos cheios dágua
Seu mar vazio
Qual é o fio que nos une e nos separa?

Eu quero seu sorriso
No correr da minha hora
E não falta nada pra gente ser feliz agora

Só por você eu dei até o que eu não tive
Há tantos que vivem, sem viver um grande amor
Eu que sonhei por tanto tempo em ser livre
Me prenda em seus braços
É o que eu te peço

Somos um barco no meio da chuva
Um edifício no meio do mundo
Fortes e unidos como a imensidão
Num passeio no meio da rua
Vamos dias e noites afora
Agora podemos ver na escuridão

Só por você eu dei até o que eu não tive
Há tantos que vivem, sem viver um grande amor
Eu que sonhei por tanto tempo em ser livre
Me prenda em seus braços
É o que eu te peço

 

Aconteceu

outubro 2008

Aconteceu quando a gente não esperava
Aconteceu sem um sino pra tocar
Aconteceu diferente das histórias
Que os romances e a memória
Têm costume de contar
Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas
Aconteceu sem um raio de luar
O nosso amor foi chegando de mansinho
Se espalhou devagarinho
Foi ficando até ficar
Aconteceu sem que o mundo agradecesse
Sem que rosas florescessem
Sem um canto de louvor
Aconteceu sem que houvesse nenhum drama
Só o tempo fez a cama
Como em todo grande amor

 

Aconteceu - Adriana Calcanhotto

musica

outubro 2008

A musica faz parte da vida de muita gente, algumas parecem feitas sob medida para aquele momento da nossa vida, muitas cumprem bem o papel de expressar o que vai em meus pensamentos, (posts de musicas aos montes) .. rsrsrs

Vai mais uma:

 

"Tenho andado distraído, impaciente e indeciso, e ainda estou confuso só que agora é diferente, estou tão tranquilo e tão contente…"

somente esse trechinho combina comigo hoje…

 

 

Eu não paro

outubro 2008

Quando eu vou parar e olhar pra mim
Ficar de fora
E olhar por dentro
Se eu não consigo
Organizar minhas idéias
Se eu não posso
Se eu esqueço de mim?

E eu pensei que fosse forte
Mas eu não sou

Quando eu vou parar pra ser feliz
Que hora
Se não dá tempo
Se eu não me encontro
Nos lugares onde eu ando
Nem me conheço
Viro o avesso de mim?

Se eu não sei o que é sonhar
Faz tanto tempo
Tanto mar
E o meu lugar
É aqui?

Uma rua atravessada em meu caminho
Nos meus olhos
Mil faróis
Preciso aprender a andar sozinho
Pra ouvir minha própria voz
Quem sabe assim
Eu paro pra pensar em mim
Quem sabe assim
Eu paro pra pensar em mim

 

Música - Ana Carolina

Amanhã

outubro 2008

Tanta coisa nova acontecendo, algumas boas, outras nem tanto, despedidas, novos horizontes e o desconhecido pela frente…

Teimo em temer o desconhecido, quando tantas vezes ele se mostrou agradável, mas a adrenalina, esse "frio" na boca do estômago é inevitável e incontrolável. Por que tememos o desconhecido?

Pela primeira vez em muito tempo não sei ao certo o que será amanhã e nem tenho planos para ele, que estranho! O mais estranho é que me sinto bem… vai entender!

" ….Como será o amanhã, responde quem puder, o que irá me acontecer o meu destino será como Deus quiser…"

Despedida

outubro 2008

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação…
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra…)
Quero solidão.

Cecília Meireles

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Quem vai dizer tchau?

Quando aconteceu?
Não sei
Quando foi que eu deixei de te amar?
Quando a luz do poste não acendeu?
Quando a sorte não mais pôde ganhar?
Não
De longe me disse um não
Mas quem vai dizer tchau?
Onde aconteceu?
Não sei
Onde foi que eu deixei de te amar?
Dentro do quarto só estava eu
Dormindo antes de você chegar
Mas, não
Não foi ontem que eu disse não
E quem vai dizer tchau?
A gente não percebe o amor
que se perde aos poucos sem virar carinho
guardar lá dentro o amor não impede
que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar o amor real é expulsá-lo de você
para que ele possa ser de alguém
Somos, se pudermos ser ainda
Fomos donos do que hoje não há mais
Ouve o que houve
E o que escondem em vão
Os pensamentos que preferem calar
Se não
Irá nos ferir o não,
Mas que não quer dizer tchau.

(Nando Reis)

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outubro 2008

" Deitada em minha rede com o livro sobre meu colo
em extâse purrissímo…não sou mais aquela menina
com seu livro,mas uma mulher com seu amante..!! "

 

Clarice Lispector

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Dom Casmurro

outubro 2008

"Continuei a alisar os cabelos, com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo,
nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tacto aqueles fios grossos, que eram parte dela. O trabalho era atrapalhado, às vezes por desazo, outras de propósito para desfazer o feito e refazê-lo. Os dedos roçavam na nuca
da pequena ou nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite. Mas, enfim, os cabelos iam acabando, por mais que eu os quisesse intermináveis. Não pedi ao céu que eles fossem tão
longos como os da Aurora, porque não conhecia ainda esta divindade que os velhos poetas me apresentaram depois; mas, desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes. Se isto vos parecer enfático, desgraçado leitor, é que nunca penteastes uma pequena, nunca pusestes as mãos adolescentes na jovem cabeça de uma ninfa… Uma ninfa! Todo eu estou mitológico. Ainda há pouco, falando dos seus olhos de ressaca, cheguei a escrever Tétis; risquei Tétis, risquemos ninfa, digamos somente uma criatura amada, palavra que envolve todas as potências cristãs e pagãs. Enfim acabei as duas
tranças. Onde estava a fita para atar-lhes as pontas Em cima da mesa, um triste pedaço de fita enxovalhada. Juntei as pontas das tranças, uni-as por um laço, retoquei a obra, alargando aqui, achatando ali, até que exclamei:
–Pronto!
–Estará bom?
–Veja no espelho.
Em vez de ir ao espelho, que pensais que fez Capitu? Não vos esqueçais que estava sentada, de costas para mim. Capitu derreou a cabeça, a tal ponto que me foi preciso acudir com as mãos e ampará-la; o espaldar da cadeira era baixo. Inclinei-me depois sobre ela rosto a rosto, mas trocados, os olhos de uma na linha da boca do outro. Pedi-lhe que levantasse a cabeça, podia ficar tonta, machucar o pescoço. Cheguei a dizer-lhe que estava feia; mas nem esta razão a moveu.
–Levanta, Capitu!
Não quis, não levantou a cabeça, e ficamos assim a olhar um para o outro, até que ela abrochou os lábios, eu desci os meus, e…
Grande foi a sensação do beijo; Capitu ergueu-se, rápida, eu recuei até à parede com uma espécie de vertigem, sem fala, os olhos escuros. Quando eles me clarearam vi que Capitu tinha os seus no chão. Não me atrevi a dizer nada; ainda que quisesse, faltava-me língua. Preso. atordoado, não achava gesto nem ímpeto que me descolasse da parede e me atirasse a ela com mil palavras cálidas e mimosas… "

 

Amo esse livro desde a primeira vez que o li, único eleito a releitura, por inúmeras vezes, único a conseguir esse feito, já que não gosto de reler um livro. Saborei cada palavra por incontáveis vezes e incontáveis vezes ei de fazê-lo…

Fica aqui minha pequena e modesta homenagem a Machado de Assis.

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Crise

Sempre achei que passaria por essa fase sem ao menos me dar conta, sempre pensei nisso como algo estranho, como assim crise dos 30? 30 é um número assim como tantos outros, a vida continua e blá, blá, blá…. Porem, no entanto, contudo… (rsrsrsrs), eis que surge uma reportagem na Superinteressante, sobre a Crise dos 30. Pra que fui ler? Me pergunto até agora…. (rsrsrsrs)

Perguntas que nem pensava em me fazer, não param de pipocar na minha cabeça dia e noite, e questionamentos e pensamentos e tanta coisa junto, quando estou "quase" me conformando, encontro um colega de escola, e surpresa percebo que faziam aproximadamente 14 anos que não via… Como assim 14 anos? 

aí uma música (sempre ela) que me disseram ser meio depressiva (não vejo assim, mas enfim) fica tocando sem parar como um disco riscado (que coisa velha, meu filho nem sabe o que é disco!!!!! )

" Vou procurando por mim, querendo não me encontrar, melhor ser livre assim, do que perdido em algum lugar…"

 

 

PS: essa crise tá só começando……

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