Pensamentos Incompletos

Textos, poesias, músicas

Dom Casmurro

outubro 2008

"Continuei a alisar os cabelos, com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo,
nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tacto aqueles fios grossos, que eram parte dela. O trabalho era atrapalhado, às vezes por desazo, outras de propósito para desfazer o feito e refazê-lo. Os dedos roçavam na nuca
da pequena ou nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite. Mas, enfim, os cabelos iam acabando, por mais que eu os quisesse intermináveis. Não pedi ao céu que eles fossem tão
longos como os da Aurora, porque não conhecia ainda esta divindade que os velhos poetas me apresentaram depois; mas, desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes. Se isto vos parecer enfático, desgraçado leitor, é que nunca penteastes uma pequena, nunca pusestes as mãos adolescentes na jovem cabeça de uma ninfa… Uma ninfa! Todo eu estou mitológico. Ainda há pouco, falando dos seus olhos de ressaca, cheguei a escrever Tétis; risquei Tétis, risquemos ninfa, digamos somente uma criatura amada, palavra que envolve todas as potências cristãs e pagãs. Enfim acabei as duas
tranças. Onde estava a fita para atar-lhes as pontas Em cima da mesa, um triste pedaço de fita enxovalhada. Juntei as pontas das tranças, uni-as por um laço, retoquei a obra, alargando aqui, achatando ali, até que exclamei:
–Pronto!
–Estará bom?
–Veja no espelho.
Em vez de ir ao espelho, que pensais que fez Capitu? Não vos esqueçais que estava sentada, de costas para mim. Capitu derreou a cabeça, a tal ponto que me foi preciso acudir com as mãos e ampará-la; o espaldar da cadeira era baixo. Inclinei-me depois sobre ela rosto a rosto, mas trocados, os olhos de uma na linha da boca do outro. Pedi-lhe que levantasse a cabeça, podia ficar tonta, machucar o pescoço. Cheguei a dizer-lhe que estava feia; mas nem esta razão a moveu.
–Levanta, Capitu!
Não quis, não levantou a cabeça, e ficamos assim a olhar um para o outro, até que ela abrochou os lábios, eu desci os meus, e…
Grande foi a sensação do beijo; Capitu ergueu-se, rápida, eu recuei até à parede com uma espécie de vertigem, sem fala, os olhos escuros. Quando eles me clarearam vi que Capitu tinha os seus no chão. Não me atrevi a dizer nada; ainda que quisesse, faltava-me língua. Preso. atordoado, não achava gesto nem ímpeto que me descolasse da parede e me atirasse a ela com mil palavras cálidas e mimosas… "

 

Amo esse livro desde a primeira vez que o li, único eleito a releitura, por inúmeras vezes, único a conseguir esse feito, já que não gosto de reler um livro. Saborei cada palavra por incontáveis vezes e incontáveis vezes ei de fazê-lo…

Fica aqui minha pequena e modesta homenagem a Machado de Assis.

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Orgulho e Preconceito

agosto 2007

 

Assisti ao filme e me apaixonei, não foi amor a primeira vista, confesso que em determinada parte queria dormir, mas teimosa que sou, fui até o final e não me arrependi. Fotografia linda, sintonia entre atores, delicadeza,  ingenuidade,  tanta coisa bonita junto, não poderia ser diferente a paixão nasceu. Foi tão intensa que o livro veio em seguida, e o que era paixão, virou um caso de amor. Para todos que apreciam uma história de amor, é uma ótima opção.

Não posso deixar de dizer que minha amiga Ni, foi quem me proporcionou essa leitura… obrigada, agora publicamente…

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Num Lago Profundo

abril 2007

A velha fazenda à beira de um grande lago, na pequena e bucólica Colby, em Vermont, parece o local ideal para Sophie Davis montar a pousada com que sempre sonhou. A solitária e anacronicamente recatada Sophie não tem nada a perder. Ela conhece a trágica história que chocou a cidade vinte anos antes: três garotas brutalmente assassinadas nas imediações do lago. Mas o culpado - um adolescente viciado em drogas - fora rapidamente preso, o tempo passara e agora ela precisa sustentar a mãe senil e a irmã adolescente. Ali ela construirá sua nova vida. O futuro, contudo, começa a dar sinais de turbulência quando um estranho aluga o chalé vizinho à fazenda. mesmo a distância, ele perturba Sophie. Ela intui que aquele homem esquivo pode intrometer-se em seu sonho e mostrar-lhe algo que ela não deseja ver: Algo desconhecido, perigoso, atraente. Talvez o sexo. Talvez a morte.

Esse livro eu aluguei (sim, existe locadoras de livros na minha cidade!) já tem um tempo e gostei bastante, recomendo aos interessados….

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Crime na Polícia

Não consigo falar de romances policiais…. sem estragar alguma coisa… hehe, só eu mesma… então prefiro não comentar, para quem gosta do gênero, é uma ótima pedida. Este livro temos o Inspetor Maigret, personagem de vários livros. Recomendo.

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A Dama das Camélias

abril 2007

Alexandre Dumas

Nascido de uma ligação amorosa vivida pelo autor, o drama retrata a paixão profunda entre uma prostituta rica e um jovem menos abastado. Em seus encontros, embebidos no ambiente fútil das diversões decadentes da alta classe, sentimos o estranhamento, a dolorosa indiferença desse ambiente à insistência frágil do sentimento que quer se realizar contra o veneno "sensato" das aparências sociais, que precisam ser fatalmente mantidas.

Bem por aqui vemos que essas histórias são antigas e estão longe de acabar, como amar o proibido, como manter "as aparências", essas "damas", são capazes de amar e abdicar de uma vida de luxos? Não sei, nem sei ao certo se penso assim, uma vida que de glamurosa não tem nada, não pode ser julgada dessa maneira. Gostei, mas não leria novamente.

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A Bruxa de Portobello

 - Paulo Coelho

A protagonista Athena (A bruxa), menina adotada por emigrantes libaneses que se estabeleceram na Inglaterra durante uma guerra civil que assolava parte do Oriente Médio, enfrenta a intolerância religiosa que remonta os tempos da Inquisição quando aqueles que eram considerados Hereges pela Igreja católica, eram punidos e queimados vivos. O enredo é construído dentro do tempo cronológico de 21 anos, entre 1973 e 1994 - período que se passa a história.

Interessante esse livro, pra não dizer outra coisa, ele trata da intolerância, não só religiosa, mas de vida, como nos dias de hoje a intolerância ainda é nítida, clara como o dia. Não toleramos o diferente, nem deixamos ele se manifestar em nós, mesmo que aquilo nos faça bem, podemos perceber que não somos tão abertos ao novo como pensamos…

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Por trás do véu de Isis

Por trás do véu de Isis - Marcel Souto Maior. Esse é um livro/relato de uma busca atrás de verdades sobre a comunicação com os mortos. Uma viagem atrás de resposta para muitas perguntas, mergulhamos num universo marcado por dor, saudade, esperança e desconfiança também: o mundo dos pais que perderam filhos e procuram, nas mensagens psicografadas, a prova de que eles continuam vivos. Assunto que percorre um terreno movediço, onde consciente e inconsciente se encontram e onde os riscos de fraude ou de auto-sugestão são permanentes.

O véu de Isis foi uma citação de uma psicografia de Chico Xavier, ele simboliza, na mitologia egípcia, a teia que separa morte e vida, eterno e profano.

Marcel Souto Maior, jornalista, consegue ser o mais espectador possível de tudo o que se desenrola, cada leitor que tire suas próprias conclusões.

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