Pensamentos Incompletos

Textos, poesias, músicas

Crise

outubro 2008

Sempre achei que passaria por essa fase sem ao menos me dar conta, sempre pensei nisso como algo estranho, como assim crise dos 30? 30 é um número assim como tantos outros, a vida continua e blá, blá, blá…. Porem, no entanto, contudo… (rsrsrsrs), eis que surge uma reportagem na Superinteressante, sobre a Crise dos 30. Pra que fui ler? Me pergunto até agora…. (rsrsrsrs)

Perguntas que nem pensava em me fazer, não param de pipocar na minha cabeça dia e noite, e questionamentos e pensamentos e tanta coisa junto, quando estou "quase" me conformando, encontro um colega de escola, e surpresa percebo que faziam aproximadamente 14 anos que não via… Como assim 14 anos? 

aí uma música (sempre ela) que me disseram ser meio depressiva (não vejo assim, mas enfim) fica tocando sem parar como um disco riscado (que coisa velha, meu filho nem sabe o que é disco!!!!! )

" Vou procurando por mim, querendo não me encontrar, melhor ser livre assim, do que perdido em algum lugar…"

 

 

PS: essa crise tá só começando……

Diga sim pra mim

agosto 2008

Eu pensei em comprar algumas flores
Só pra chamar mais atenção
Eu sei, já não há mais razão pra solidão
Meu bem, eu tô pedindo a sua mão

Então case-se comigo numa noite de luar
Ou na manhã de um domingo a beira mar
Diga sim pra mim
Case-se comigo na igreja e no papel
Vestido branco com bouquet e lua de mel
Diga sim pra mim
Sim pra mim

Eu pensei em escrever alguns poemas
Só pra tocar seu coração
Eu sei, uma pitada de romance é bom
Meu bem, eu tô pedindo a sua mão

Prometo sempre ser o seu abrigo
Na dor o sofrimento é dividido
Lhe juro ser fiel ao nosso encontro
Na alegria, felicidade vem em dobro
Eu comprei uma casinha tão modesta
Eu sei, você não liga pra essas coisas
Te darei toda a riqueza de uma vida
O meu amor…

 Diga sim pra mim - Isabella Taviani

Boca

agosto 2008

Boca: nunca te beijarei.
Boca de outro que ris de mim,
no milímetro que nos separa,
cabem todos os abismos.

Boca: se meu desejo
é impotente para fechar-te,
bem sabes disto, zombas
de minha raiva inútil.

Boca amarga pois impossível,
doce boca (não provarei),
ris sem beijo para mim,
beijas outro com seriedade.

 

Carlos Drummond de Andrade

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Paixão

julho 2008

Penso que a paixão é outra “coisa” que não explicamos, daí o “coisa”, para alguns é um vendaval que chega arrastando tudo e indo embora tão depressa quanto como chegou, e deixa para trás um rastro de destruição, que podem levar anos a serem curados.
Para outros é um fogo que começa em um dos extremos corporais e logo atinge todas nossas células deixando o corpo em chamas, podendo durar segundos, dias e anos, porque não?

Agora existem pessoas que inexplicavelmente, (eu penso assim) conseguem fazer da paixão um estado de espírito constante, a paixão é o ar que ela respira, o alimento que seu espírito tanto clama, a droga que suas veias necessitam. È o sorriso dos seus lábios, o brilho dos seus olhos. Vivem intensamente como se o amanhã não existisse, numa busca frenética a sua droga diária, encontrando-a em todos os lugares, revelando ao mundo o que de melhor eles possuem.
Penso que prefiro o amor, calmo e suave, mas confesso que alguma parte de mim por vezes, busca essa paixão desenfreada, arrebatadora e viciante.

baú de saudade

julho 2008

Tem horas em que a saudade chega no peito e a gente nem sabe de quê, talvez seja um abraço, talvez de um carinho, de uma conversa ou de um olhar. Eu sinto saudade de tudo que me fez bem, e gostaria que aquele momento se repetisse sempre e sempre, só pra eu poder ter a certeza de que ele realmente existiu.

Saudades tenho de coisas pequenas de detalhes mínimos que talvez somente eu lembre, mas são coisas guardadas com muito carinho no meu bauzinho, nem sei mais quanta coisa tenho guardada lá. Uma vez li que temos que limpar o baú…. mas como jogar fora coisas que nos são tão caras? Então as vezes tiro as teias de aranha dele, dou uma lustrada, mas mantenho nele meus pequenos tesouros, vai ver que é por isso que as vezes tenho uns apagões de memória….. claro as vezes providencias, outras nem tanto, mas não ligo… o meu baú quero sempre lá e com todos esses momentos tão meus dentro.

Triste quem não tem seu baú, que não tem sua história, triste quem se esquece e não consegue lembrar……

INTACTO

julho 2008

Não faço pra te aborrecer
Nem eu me entendo direito
Meu jeito não dá pra prever
Às vezes dá defeito

Não tô triste nem tô "deprê"
Apenas estou sossegado
Não há o que esclarecer
Não há nada errado

Às vezes o silêncio tapa os buracos
E o amor prossegue intacto

Já sei o que vai me dizer
"Você é muito enigmático"
Tem toda razão, pode crer
Não sou nada prático

Mas deite aqui perto de mim
Vamos acalmar num abraço
Gostar geralmente é assim
Nunca é sempre fácil

Às vezes o silêncio tapa os buracos
E o amor prossegue intacto

 

(Música de Jair Oliveira)

Frio

junho 2008

O dia começa frio, o sol não aparece, uma garoa fria teima em cair…..

Blusa, calça, bota, gorro e cachecol, luvas não… me atrapalham um pouco, portanto…. mãos frias….

Dias frios, pensamentos aquecidos, minha mente fervilha buscando onde se expressar…

Pincéis? Telas? Latas? papel….. teclado, ainda não é o suficiente, mas pelo menos meus dedos se aquecem…..

A Chuva

junho 2008

A primeira vez que Ana sentiu a chuva não foi por ela estar forte demais, nem por ser fraca como uma brisa. Foi pelo fato dela cair feito lágrimas, sem controle, a escorrer pelos vidros, como se estes fossem rostos, de forma lenta e se perderem no asfalto molhado como um lenço. E tudo isso Ana percebeu não pela chuva que caía desde o amanhecer, mas pela ausência de Pedro. Sim era esse seu nome. Descobrira de forma inesperada, chovia, e ela nem tinha se dado conta disso, ele passara por ela como todos os dias, a chuva era calma e refrescante, e ali logo aos seus pés ele deixara cair um crachá, não de propósito, este foi perdido pelo encontrão que Pedro deu com alguém que passava por ali.
Ana abaixou-se vagarosamente como que se houvesse avistado um precioso tesouro, desfrutando aqueles segundos únicos, onde tocaria algo que pertencia ao seu objeto de afeição/desejo/paixão. Tudo foi tão lento e gracioso como se a vida estivesse em camêra lenta. Ao se levantar ele já ia longe, apressado pela chuva, e ela, ao olhar o objeto descobriu seu nome: Pedro. Seu coração tinha um dono que se chamava Pedro.
E foi a tua ausência naquela tarde quase noite que a fez notar a chuva, que parecia chorar e as nuvens pesadas a se baterem numa luta sem fim, nem cinza era o momento, para seu coração ele era negro, já que cinza lhe lembrava seus olhos. E naquele momento Ana passou a acompanhar a chuva e a chorar dolorido, um choro sentido e silencioso, já que não eram de seus olhos que brotavam as lágrimas, era de sua alma.. Seu corpo todo se desmanchava e corria pelas sargetas com a chuva, sofrido, doído e entregue, até sumir num buraco escuro e ainda mais negro que o final da tarde. Assim adormeceu, sem sonhos, quase sem vida, e molhada, agora com suas lágrimas.

 

 

Obs.: Depois de muuuuito tempo continuando a vida de Ana (rsrsrsrsrs)

A vida de Ana

outubro 2007

Estava ela parada no ponto esperando o ônibus que nunca vinha, esperando sem nenhuma expectativa, deixando a vida passar como se fosse um poste, estática e muda. Não queria muito da vida, aliás, ultimamente não queria nada. O frio estava bom, o sol também, a chuva nem percebia, o vento não incomodava. Era tudo mecânico: acordar, se lavar, café, ponto, ônibus, serviço, almoço, serviço, ponto, ônibus, casa, jantar, banho e cama. Já não sentia prazer, e nem se dava conta disso, tudo lhe parecida igual, todos dias eram iguais, nada faltava. Não reclamava, ia reclamar de quê? Tinha o que lhe era necessário, e a vida passava apressada e se repetia todos os dias, até aquele momento.

Não se sabe exatamente o que a despertou daquele ópio diário, se o foi o pingo da chuva em seus lábios, se foi o doce perfume que lhe invadiu as narinas ou a luz de algum veículo que a cegara, tudo foi simultâneo. O certo é que a vida de Ana, nunca mais foi a mesma…

Todos os dias, agora, Ana se prepara para aqueles minutos, os doces minutos, seus dias inteiros são levados à sonhos. E as horas são ansiadas, os minutos esperados angustiamente, e quando ele chega, o extase, é o tempo que agora pára. Nem se imagina tocando aquela pele macia, pelo menos ela pensa assim, ou olhando aqueles olhos cinzas, tão profundos como o mar. Não se permite imaginar o fazendo, nem mesmo seus lábios roçando os dele, é que Ana já morre todo dia um pouquinho ao vê-lo passar, calmo e tranquilo, como se a vida o acompanhasse sem pressa, como se tudo lhe fosse um complemento. Seu toque lhe seria fatal, e como poderia perder esses momentos? Não podia, era melhor imaginá-lo inatingível, a tê-lo uma única vez e perder seus doces minutos….

Criar

outubro 2007

Não é fácil criar uma estória, é difícil percorrer caminhos desconhecidos da mente. É… a mente esse lugarzinho que tão pouco usamos, me disseram que escrever é um exercício para ela, mas esqueceram de dizer que não é fácil. Não é a todo o momento que os dedos correm soltos pelo teclado, como se tivessem vida, e pensassem sozinhos. E assim discursa por páginas e mais páginas, fazendo-nos viajar por lindas paisagens, fazendo-nos desvendar mentes complexas. Mas quando chega a hora de meus dedinhos entrarem em ação….. eles vão até que bem, até determinado ponto, daí pra frente fica realmente complicado, eles simplesmente travam, se recusam a digitar uma linhazinha que seja… a mente também não fica atrás, ela avança, retrocede e não concorda e dá outro rumo e quando percebemos mais nada faz sentido. Até tento começar novamente, mas vejo que não levo muito jeito, estória ficam para os grandes escritores, a minha mente e meus dedos ficarão apenas com pequenos textos de crônicas, ensaios, pensamentos ou seja lá o que todas essas coisas querem dizer….

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